24 de maio de 2011

Dilma lamenta morte de Abdias Nascimento


 
 O Brasil e todos os movimentos negros do país perderam hoje um dos mais notáveis ativistas contra a discriminação racial e o preconceito. O professor Abdias do Nascimento morreu ontem no Rio de Janeiro. A seguir uma breve biografia desse ilustre batalhador das causas socias e profundo conhecedor da cultura afrobrasileira.

Nasce em Franca (SP), em 1914, o segundo filho de dona Josina, a doceira da cidade, e seu Bem-Bem, músico e sapateiro. Abdias cresce numa família coesa, carinhosa e organizada, porém pobre, e vai se diplomar em contabilidade pelo Atheneu Francano em 1929.
Com 15 anos, alista-se no Exército e vai morar na capital São Paulo. Na década dos 1930, engaja-se na Frente Negra Brasileira e luta contra a segregação racial em estabelecimentos comerciais da cidade. Prossegue na luta contra o racismo organizando o Congresso Afro-Campineiro em 1938. Funda em 1944 o Teatro Experimental do Negro, entidade que patrocina a Convenção Nacional do Negro em 1945-46.

A Convenção propõe à Assembléia Nacional Constituinte de 1946 a inclusão de políticas públicas para a população afro-descendente e um dispositivo constitucional definindo a discriminação racial como crime de lesa-pátria.

À frente do TEN, Abdias organiza o 1º Congresso do Negro Brasileiro em 1950.
Militante do antigo PTB, após o golpe de 1964 participa desde o exílio na formação do PDT. Já no Brasil, lidera em 1981 a criação da Secretaria do Movimento Negro do PDT.

Na qualidade de primeiro deputado federal afro-brasileiro a dedicar seu mandato à luta contra o racismo (1983-87), apresenta projetos de lei definindo o racismo como crime e criando mecanismos de ação compensatória para construir a verdadeira igualdade para os negros na sociedade brasileira. Como senador da República (1991, 1996-99), continua essa linha de atuação.

O governador Leonel Brizola o nomeia Secretário de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Estado do Rio de Janeiro (1991-94). Mais tarde, é nomeado primeiro titular da Secretaria Estadual de Cidadania e Direitos Humanos (1999-2000). 


Em nota, presidente diz que foi um líder no combate à discriminação racial.
O governador do Rio, Sérgio Cabral,e outras personalidades também divugaram nota de pesar


A presidente Dilma Rousseff divulgou nota de pesar nesta terça-feira (24) pela morte do ativista do movimento negro Abdias Nascimento, aos 97 anos. Veja abaixo a nota na íntegra e a repercussão da morte:

"O Brasil perdeu hoje um dos seus maiores líderes no combate à discriminação racial. O escritor, jornalista e parlamentar Abdias Nascimento foi, ao longo de toda a vida, um influente defensor dos direitos dos afrodescendentes e promotor da causa da igualdade racial. Sua atuação incansável contribuiu para a definição de importantes marcos institucionais na luta contra o racismo no Brasil e para a consolidação de políticas públicas voltadas para a promoção da igualdade. Ao lamentar sua perda, transmito à família de Abdias Nascimento meu sentimento de sincera solidariedade. Estou segura de que seu legado continuará a inspirar a todos nós, brasileiros, a perseverar no caminho da igualdade e da justiça."
Presidente Dilma Rousseff

"O Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) manifesta seu profundo pesar pela morte do líder e companheiro Abdias do Nascimento, ocorrida ontem, 23 de maio, às 22:50h. Foi Abdias, para o Movimento Negro, uma lição de coragem, retidão caráter e perseverança em sua luta sem fronteiras de combate ao racismo e pela cultura afro-brasilera."
Centro de Articulação de Populações Marginalizadas

"Abdias Nascimento foi um grande homem e pioneiro na luta pelos direitos dos negros no Estado do Rio de Janeiro, servindo de exemplo para todo o país. Foi, durante toda a sua brilhante trajetória de vida, um ativista incansável. É incontestável que Abdias Nascimento tenha exercido papel fundamental na garantia dos direitos à população negra. A sua morte é uma perda para toda a sociedade, mas o seu exemplo e as suas conquistas serão para sempre reconhecidos."
Governador do Rio, Sérgio Cabral

“O desaparecimento de Abdias Nascimento entristece a todos nós. Foi um lutador extraordinário contra o racismo e a intolerância , que deixou atrás de si uma história de vida exemplar como homem público, professor e artista, que sempre colocou seus ideais acima dos interesses pessoais. Lutou intensamente contra a discriminação racial no Brasil e recebeu em 2005 o maior prêmio de Direitos Humanos da OAB SP – o Franz de Castro Holzwarth - como reconhecimento”.
Presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D’Urso

“A trajetória deste incansável combatente contra o preconceito racial vai ficar marcada para sempre como fonte de inspiração inesgotável a advogados e outros militantes da área de direitos humanos, além de ser um registro indelével na história do Brasil”.
Presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB SP, Eduardo Pereira da Silva

A "Unesco lamenta profundamente o falecimento do escritor, ativista político, jornalista, ex-congressista e dramaturgo brasileiro Abdias Nascimento, um dos maiores expoentes da luta contra a discriminação racial no país e internacionalmente. Reconhecedor incansável da riqueza do Continente Africano, o professor Abdias foi um dos primeiros brasileiros a escrever sobre a influência africana na história no Brasil e a abrir caminhos para que os afro-brasileiros sentissem orgulho de si e de sua história. Sua vida foi acreditar e lutar para fazer um Brasil justo e promotor de direitos. Entre inúmeros reconhecimentos por seu importante  trabalho visando a uma sociedade mais igualitária no país, em 2001 Abdias foi agraciado com o Prêmio UNESCO na categoria Direitos Humanos e Cultura de Paz. Em 2004, recebeu da organização o prêmio Toussaint Louverture pela criação do Teatro Experimental do Negro, uma das primeiras organizações a reivindicar e a desenvolver  educação  de qualidade para a população negra brasileira como um direito eficaz na superação das desigualdades no país."
UNESCO

Fonte: G1